4 anos depois… é tempo demais para um até já…

Passaram 4 anos!

Árduos… imparáveis!

4 anos passaram desde a última vez que este blog fez sentido!

2011 viu-me percorrer o Caminho Francês a solo e tempos depois a dois, a pé, com a minha cara metade. Poderia ter sido demais para um ano só… mas o que nos faz bem nunca é demais.

Pelo meio o assumir de uma vida a dois e agora a três, tornaram as minhas horas ainda mais felizes, mas de longe mais preenchidas. As minhas pausas deixaram de ser só pensadas em função do que me sabe bem e passaram a sê-lo ainda mais em função do que “nos sabe bem”.

4 anos passaram… correram… Pelo meio não cheguei bem a saber o que eram férias. Não me incomodo com isso. Vejo gente com problemas de vida bem maiores que os meus para me sentir legitimado a lamentar-me. Não o faço. Não tenho moral para isso. Fiz opções e sou o produto delas.

Hoje, era suposto estar a arrumar a secretária para me sentir de férias… mas para quê? Quando voltar não terá passado assim tanto tempo que justifique arrumar tudo para voltar a desarrumar.

Passo essa parte á frente. Sento-me apenas em frente ao teclado, repesco aqui na playlist “Moongate de Secret Garden” e expiro. A sombra da luz do dia insiste ainda em rastejar por baixo do estore já quase totalmente descido… ufffffff…

Amanhã é feriado… quê? Não, amanhã é dia de viver! E viver não tem feriados!

Amanhã eu vou só fazer o meu saco – aquele que a experiência dos anos ensinou a encher só com coisa essenciais. Depois disso, vou fazer um check-up à bicla. E depois… depois vou ficar em pulgas! Este “moongate” é bem capaz de dar lugar a um sem número de musiquinhas bem mais animadas e não tanto relaxadas. O “vou prá festa! iuppi” tomará conta de mim!

E domingo… bem… domingo será esperado já a partir de sábado, que nem a raposa à espera do principezinho! Porque domingo é o dia de dizer à vida que 4 anos depois voltei a meter as rodinhas ao caminho. Primeiro a solo, porque me sabe tão bem isso… que não o poderia explicar por palavras. Depois, lá para terça, com os meus amigos de pedal, se os alcançar no caminho, chegaremos juntos aos pés do Apóstolo.

Este ano seguirei o Caminho da Costa, completamente às cegas. Não tive tempo para pesquisar o que quer que seja. Sei que as setas me guiarão até ao destino. Onde tiver que parar, pararei. Onde me apetecer parar, pararei também. Alguém disse um dia a respeito da pressa de alguns peregrinos em alcançarem o próximo albergue: “para quê a pressa se é a ti mesmo que tens que chegar?”. E é uma frase perfeita.

O meu destino sou eu mesmo. O caminho é apenas música de fundo. Se não tiver cama num albergue terei noutro. Se não tiver em lado nenhum há-de sempre haver um alpendre jeitosinho. Preocupações eu tenho todos os dias, posso bem dispensá-las durante 2 ou 3.

Prometo na volta dar um relato da peregrinação (Sim, porque a minha habitual pressa costuma dar tempo para fotografar, filmar, dormir à fresca, meter os pés nos riachos, apanhar fruta dos ramos… )

Assim sendo… só me ocorre um voto para os vossos e meus próximos dias:

Acho que o “tipo” que disse isto é famoso:

“Que a paz esteja convosco”.

Caminho da Costa

Depois de no verão passado aqui ter partilhado relatos do Caminho da Costa – uma derivação pelo litoral a partir de S. Pedro de Rates, no passado dia 29 de Janeiro tive oportunidade de reviver a primeira metade dessa travessia no concelho de Esposende, por aquele que seria o trilho originário, em que os peregrinos atravessavam o rio Cávado na Barca do Lago.

Aqui partilho um pequeno vídeo dessa travessia:

A 48horas… de começar a pensar na próxima :)

A “lágrima no canto do olho” de 2011! Aquela recordação que me enche de saudade e alegria. Aqui partilho em síntese, porque a parte maior já se encontra por aí, seja na galeria ou no youutbe.

14 de Abril de 2011 – depois de um dia de trabalho, parto para Campanhã: uma bike desmontada e embalada, os alforges, a minha “vieira da sorte”, a minha bandeira de viagens, 1,5 litros de água e duas sandochas de carne para o que der e vier. Ali estava eu. Com calças “tipo militar” e botas calçadas, colete vestido e meia plataforma a olhar para mim… (será tolinho? Era a expressão que lhes tomava o rosto 🙂 )… nada disso! Era apenas um homem em busca de um sonho!  Campanhã – Coimbra – Hendaye – Baionne – St. Jean Pied du Port! O céu!

Bicicleta montada, equipamento vestido, tudo pronto! Primeiras fotos – Porta de Saint Jacques! Era ali que tudo começava. Era aquele o local que eu reconhecia das centenas de fotos que tinha visto na net dos caminhos de outros. A realidade e o sonho… ali… misturavam-se…

Passado aquele local mágico, que já aqui partilhei… o Monte do Perdão, após passar o bonita cidade de Pamplona, foi o segundo lugar marcante. O frio que cortava e a quantidade de peregrinos a pé que aí encontrei… é mais um dos muitos locais que não nos atravessam o dia a dia.

A imagem mais presente é esta! Aquela em que a vista se conforta com imagens… “até perder de vista”! Não há muito para descrever… é “música de fundo” passear por estes locais. Com a enorme vantagem: aqui não há tempos, não há horas! Deu bastante jeito a preparação física, mas apenas para saborear mais o passeio. Aqui o ritmo era de peregrino, não de maratonista!

Em frente à Catedral de Léon (adorei a cidade!! linda mesmo! digna de perder lá uns dias).. A parte boa da condição de peregrino é que, com o devido respeito pelos locais onde é recomendado, a gente pode dar-se a estes luxos: estar completamente ensopado num “caldinho de suor e chuva”, apanhar uma aberta de sol e estender-se ao sol e pôr a roupinha a secar no chão que aquecia. E que bem que soube 🙂

Cruz de Ferro… sem palavras! O melhor momento… não partilho 🙂 Está entre mim, o BigBoss e Santiago 🙂

A pedra que levei desde a praia da terra que me viu crescer, com um lema… e algo mais do outro lado da pedra…

E pronto… terminou assim… com o típico: “desculpe, pode tirar-me uma foto?”

E para terminar, a foto que melhor documenta o meu “estado” de lama e hipotermia, depois de um dia de chuva, chuva e lama!! Sim… aquele sorriso é o mesmo que o de um puto que ganhou um gelado… mas que fazer? É …

Não fosse a necessidade de 10 dias de férias seguidos e uns €€€ significativos… e eu dir-vos-ía onde pararia em 2012… assim, resta apontar as rodas para os últimos 300 da Via da Prata!

850 inesquecíveis quilómetros…

Vemo-nos em 2012! Num Caminho perto de nós 🙂

Ultreia et Suseia

“O céu é real”…

Agora que o fim do ano se aproxima é tempo de fazer o já habitual “balanço”!

Num ano em que a nada me propus na entrada em 1.1.11, limitei-me a comer as 12 uvas passas acreditando que iria viver 2011 da forma mais intensa possível. As minhas metas estavam definidas e não havia margem para falhas: fazer o exame de agregação à Ordem dos Advogados e na Semana Santa partir para o Caminho Francês de Santiago, terminar o meu contrato de estágio com o “fisco” e abrir escritório. Não havia assim margem para propósitos – havia necessidade de certezas – e assim foi.

2011… foi até esta altura um ano perfeito – não daquela perfeição de quem quer que tudo tenha corrido bem, mas daquela de quem deu o melhor de si mesmo quando as coisas correram mal. E é difícil escrever sobre 2011 sem que as memórias se atropelem e façam destas linhas um novelo de pontas e de voltas!

2011 foi bom! Foi mágico! Muito devido “ao Caminho” – haverá certamente muitos que percebem o alcance deste sentimento… não foi a primeira vez que os fiz (sim, “os fiz”…este ano fiz o francês em bike e o português da costa a pé)… mas, enquanto que nos anos anteriores tinha feito “caminhos” durante 3 dias em bike, desta vez foram 8 dias de bike (+ 2 de viagens) e outros tantos a pé com mochila às costas.

Num tempo em que tanto se fala em crise e em necessidades teve o seu “quê” de terapêutico perceber que as minhas necessidades se resumiam a 15kg de bagagem, sendo que nestes havia mesmo material dispensável como são as máquinas fotográficas e carregadores de telemóvel.

Verdade seja dita, que com aqueles 15kg que por duas vezes me fizeram andar 15 dias “por esse mundo” eu estava pronto para andar o tempo que fosse necessário. Há ligeiras diferenças obviamente quanto ao conteúdo de uns alforges (aprox. 15kg com material de manutenção para a bike e equipamentos) e o conteúdo de uma mochila para caminhada(10 a 11kg e já é muito).

Depois… há aquele elemento perfeito que é partir sozinho (no caso do francês)… que é também ele o mais custoso, porque a nossa preocupação não é só connosco, com a nossa alegria de viver aqueles momentos mágicos, mas há também a necessidade de tranquilizar com algumas notícias quem fica em casa. Mas partir sozinho é … arrepiante. Aquele arrepio que nos causa o medo do desconhecido e que ao mesmo tempo nos dá força para enfrentá-lo.

É praticamente inexplicável por palavras. Acho que qualquer peregrino compreenderá que estas coisas se explicam na maioria das vezes com aquele brilho no olhar de quem por lá passou.

Bem, vou parar por aqui para não cansar. Não sem recomendar, sem pedir, sem sugerir… entendam como quiserem… mas, se para os que sabem do que falo nada mais será preciso (pois “o bicho pega”), para os outros fica a sugestão: façam o Caminho, seja ele qual for – porque tal como diz uma das minhas t-shirts de “recuerdo”: “the way are all the ways – follow yours”.

O único Caminho certo, o mais verdadeiro, é aquele que é feito pelo peregrino ao encontro de si mesmo, embalado pela “música de fundo” de um qualquer Caminho de Santiago. Isto porque para enfrentar o mundo o dia a dia vai-nos preparando, já para nos enfrentarmos a nós próprios, aos nossos medos, aos nossos limites, aos nossos sentimentos… só o treino nos dá preparação, numa certeza: torna-nos mais fortes, porque mais conscientes dos limites das nossas forças e mais precavidos nos limiares das nossas fraquezas.

E para explicar o título deste post, que até dá nome a um “best-seller da moda”, deixo-vos a minha prova de que o céu é real, não que eu tenha visto o céu, mas porque acredito que se “o céu” for um local tão perfeito como este que encontrei em plenos Pirinéus franceses… eu quero muito ir para o céu.

E com a imagem deste local perfeito (Virgem de Biakorre), o meu voto para 2012 para todos, sem distinção de credos e idiologias, é apenas um:

“que a paz esteja convosco”

A chuva… como quem diz saudades!

O tempo tem estado “fresquinho” por estes dias e toda esta chuva me traz saudades, daqueles dias que eu espero nunca mais esquecer. Alguns de vós, que por cá passais para ler os meus pequenos escritos, percebeis na íntegra o porquê e a dimensão deste sentimento. Todos os outros, espero apenas que cultivem uma pequenina curiosidade de provar deste “sabor”, e que um dia destes, “percam a cabeça” e seja a pé, de bike ou a cavalo, façam o Caminho, façam a “peregrinação”! Continuo a dizer: “não virão santos, mas virão com aquele sorriso”… que vos levará a encher os olhos de água sempre que falarem d’O Caminho.

E vêm-se-me à memória todas as lembranças daqueles dias de chuva no Caminho, do difícil pedalar ora transpirado, ora com frio, ora molhado. Porque torna-se difícil o equilíbrio. Com a chuva vestiam-se os impermeáveis, impermeáveis que por muita tecnologia e respiros que tenham acabam sempre por aumentar a transpiração, transpiração essa que encharca os equipamentos por baixo do impermeável… todos molhados o calor corporal aumentava, mas abrir os fechos fazia baixar muito a temperatura porque o vento “fininho” cortava… e depois, era um veste casaco, tira casaco interminável, agravado pelo facto que a lama se ía amontoando na roupa e vestir o impermeável por cima do restante equipamento era o mesmo que carregar a lama toda para o interior dele. Dias houve em que tivemos que pedalar com casacos e calças impermeáveis tanta era a chuva (sim, parecíamos o pessoal que anda de scooter!! Com o pequeno detalhe de apertarmos as perneiras com fita-cola para não prenderem nas correntes)!

Era descofortável? Muito!

Valeu a pena? Sem dúvida! Cada gotinha de água que caía era mais uma gotinha de felicidade!

Não foi sequer caso de “sofrimento”! Era caso para dizer que era cansativo (porque não há heróis), mas nada que causasse dor – é certo que treinei 4 meses diariamente, para que aquilo fosse um momento de aventura e felicidade e não um momento de sofrimento.

Enfim… as coisas que a chuva lembra! E pensar que 15 minutos depois do momento da foto fiquei literalmente debaixo de uma tromba de água. Valeu-nos um refúgio de berma que não evitou que ficassemos como “pintos molhados” mas sempre deu para não estar tanto tempo no duche!

O giro deste momento foi que eu e um dos meus camaradas de viagem estavamos a tirar fotos e a olhar lá para a frente a rir “é pah, o povo que estiver a caminhar ali para a frente deve estar a tomar um duche bom”… e 15 minutos depois… fomos também apanhados na “banheira” 🙂 E depois… passamos uma bela meia-hora a comer pipas e a escrever dedicatórias nas paredes do abrigo que já estavam repletas de marcas de passagem de outros.

Continue por isso a chuva… que tão boas memórias me traz… e talvez seja a explicação lógica de, ao invés do passado, os dias de chuva deixaram de me fazer acordar melancólico 🙂

 

 

 

 

o SOS id.

Fruto de mudanças a nível profissional, vi-me esta semana numa enorme confusão de mudanças no escritório lá de casa. Pelo meio encontrei um dos 2 pedaços de papel plastificados que me acompanharam no meu Caminho Francês… a saber: 2 papéis com a identificação e informações de contacto em caso de acidente ou emergência para o caso de algo me acontecer durante a viagem.

Ás vezes ignoramos a importância de tais elementos, porque importante é o saco cama e o telemóvel… mas para quem se faz ao Caminho sozinho, podem ser de importância tão grande ou maior que qualquer outra coisa, no fundo podem servir para alguém informar mais depressa os que nos são próximos.

Porquê falar desses pedaços de papel? Para que não se esqueçam deles.

Creio de todos os momentos de preparação da minha viagem, e não incluindo os momentos de preparação interior, esse foi dos momentos mais marcantes, talvez porque foi o momento em que muito para além de todo o optimismo e espírito de aventura, muito além da alegria que me invadia e do arrepio que me enchia sempre que pensava “está a chegar agora”, naquele momento eu pensei que apesar do muito “latim” gasto a dizer aos meus familiares e amigos que tudo iria correr bem, que iria com calma para acautelar acidentes e tal… apesar de todo esse discurso que eu vendia aos que me rodeavam para os tranquilizar e para que o meu momento de felicidade não fosse para eles um tormento, perante aqueles cartões… e sabia que algo podia correr mal ou muito mal. Era estar ali perante a noção de que se alguém tivesse que deitar mão do cartão que levava na bolsa de cintura ou no saco da roupa, era sinal que eu não estaria capaz de fazê-lo… e como tal não estaria muito bem nesse momento.

E foi… arrepiante … o sentimento de com esta consciência me deparar com um cruz numa berma dos Pirinéus, repleta de dedicatórias com saudade…

Apenas com isto pedir, levem identificação nos vossos caminhos e acompanhem-se de contactos em caso de emergência para que em caso de infortúnio alguém possa agilizar contactos. Porque diz o povo que “quem anda à chuva molha-se” e que “mais vale prevenir que remediar”.

Um espécie… de céu!

Bom Caminho Jovens

O Caminha Comigo não é um blog “laico”, não poderia por isso deixar de enviar um enorme abraço a todos os jovens que se encontram em Madrid nas jornadas mundiais da juventude, de um modo especial aos amigos deste espaço: tragam também o brilho nos olhos desse vosso encontro com o Caminho! Seja pelas vias do apóstolo, seja no encontro com o Santo Padre, estamos todos unidos pelo mesmo Guia e pela mesma razão de caminhar: seguimos aquele que nos disse “Eu sou o caminho”!

Que a paz esteja convosco!

Um pouco mais feliz…

Nem sei bem como começar este breve relato…

Talvez pelo fim: segunda-feira (15.08.11) cheguei finalmente a Santiago, na companhia da minha namorada e… a pé!

Depois da minha “traumática” experiência Esposende-Fátima a pé julguei nunca mais ter coragem para meter pés ao Caminho fosse ele para onde fosse. Pois bem, aceitei o desafio da Ina e lá fomos a Santiago a pé.

Ao contrário da experiência para Fátima, acertei no calçado (que acabei por emprestar à minha companheira de viagem que não estava a andar confortável com o dela) e com toda a energia interior que me movia e um pouco de sorte à mistura, percorri este trilho sagrado como uma estranha frescura física e sem quaisquer quebras ou mazelas físicas. A única medalha foi uma micro-bolha no penúltimo dia, tão pequena que nem foi preciso furar. De resto, apenas tenho que dar graças a Deus por percorrer estes quase 250 kms ao sabor da passada.

Peripécias do Caminho à parte e as mazelas dos pés da Ina que me fizeram durante alguns kms carregar o meu saco e o dela para lhe aliviar um pouco o impacto do passo com o solo, o Caminho foi simplesmente espectacular.

Como já tinha dado nota, as duas primeiras etapas (Maia-Esposende e Esposende-Caminha) foram feitas em dias separados e na passada quarta-feira, lá pusemos mochilas às costas, rumamos de comboio a Caminha e de lá arrancamos rumo a Santiago.

As etapas fora:

Caminha – Valença

Valença – Mos

Mos – Pontevedra

Pontevedra – Caldas de Reis

Caldas de Reis – Padrón

Padrón – Santiago

Quis a sorte que durante quatro dias o sol nos aquecesse durante todo o Caminho, a alvorada foi sempre pelas 5h30 e a chegada aos albergues sempre entre as 15h e as 17h.

Na etapa Caldas – Padrón chegamos ainda pelas 11h30 da manhã porque ao contrário dos outros dias, neste chovia um pouco, impedindo assim as nossas siestas nas sombras, as nossas paragens para lanche prolongadas. Nesse dia toda a gente acelerou a passada procurando chegar cedo a Padrón – por lá acabamos por passar confortavelmente a tarde na conversa.

Bem… tecendo estas notas prévias e nelas enviando um enorme abraço para todos aqueles com quem conversamos e travamos amizade no caminho, muitos portugueses, muitos estrangeiros, para todos eles o meu obrigado por terem feito deste caminhar um animado passeio pela vida. Que o Apóstolo vou acompanhe.

Partimos então de Caminha, num trilho bonito, através do monte e das aldeias, com uma passagem singular que nos leva a subir a escadaria da casa de uma simpática senhora e rumamos a Valença, com passagem por Cerveira e de quando em vez um pouco à toa à procura das setas, mas lá demos com o caminho.

Chegamos a Valença, com o albergue a meia-casa, tendo acabado por encher, e lá conhecemos os primeiros amigos de viagem – os peregrinos que fazem o caminho a pé acabam por fazer quase todos as mesmas etapas, uns andam mais 5 kms num dia, outros mais 5 no outro, mas mais coisa menos coisa, de Redondela para frente acabam por se encontrar diariamente nos mesmos albergues e assim também durante todo o caminho, ora passam uns, oram passam outros, e nisto vamos olhando todos uns pelos outros.

De Valença rumamos a Redondela, tendo acabado por ficar por Mos pois os pés da Ina adoptaram bem cedo a máxima “no pain, no glory” e acabariam por ser eles e um músculo da coxa as “estrelas” do caminho.

Um pouco por todo o caminho fomos conhecendo bicigrinos, na esmagadora maioria gente com muito respeito pelos caminheiros, pedalando todos em ritmo calmo, desfrutando o caminho e respeitando quem vai mais lento. Obviamente, como “habitual” bicigrino que sou não passaram indiferente as rodinhas que nos desejavam bom caminho: há sempre tempo para uma conversa sobre a etapa que vão fazer, a tralha que levam e afins.

O calor era muito, as bolhas deram sinais e ficamos em Mos – em Mos não há nada! Um supermercado e um pequeno café restaurante e mais nada! Mas há um albergue humilde, limpinho e confortável, se a isto juntarmos o facto de estar fresquinho… era o céu! Noite bem dormida, depois de uns bocadilhos preparados para o jantar. Não havia “roncadores”! Era o céu 🙂

Arrancamos cedo de Mos (saiamos para andar diariamente pelas 6h15), durante uma hora caminhavamos com laterna acesa, depois nascia o dia e com ele vinha o calor. (Deixo nota de que para quem vai a pé, após as subidas de Mós há uma máquina de venda de bebidas caída do céu e com preços dignos de paraíso: bebidas fresquinhas em lata a 60 cêntimos).

Pequeno almoço em Redondela e rumamos à Ponte Sampaio e a Pontevedra! Chegamos a Pontevedra com o calor a apertar, todas as bicas de água serviam para abastecer os cantis e as garrafas de água que compravamos e que guardamos para abastecer. Com o calor que se fazia sentir e apesar de a água aquecer, a gestão desta era feita com cuidado – o último cantil só era esgotado quando havia fonte para recarregar à vista – não se pode caminhar sem água, nem correr o risco de beber tudo sem ter onde reabastecer.

Pontevedra tem um albergue aparentemente fantástico… digo “aparentemente” porque creio que as camaratas têm gente a mais. Por muito que um peregrino só queira um tecto e um duche… não deixa de ser um facto que paguei uma dormida com cama e acabei a tentar dormir no chão da sala de convívio porque o calor era demais nas camaratas, os roncadores era muitos e a distância entre beliches não dava sequer para pousar as mochilas junto à cama. Nem imagino o que será a evacuação de um local daqueles em caso de acidente.

Etapa seguinte: rumo a Caldas! Campos, campos e “carretera”! Há ainda muitas passagens de estrada muito perigosas, mas o caminho faz-se por entre vinhas e campos de milho. O bosque na aproximação da Portas – Briallos é um sossego bom de se apreciar. Chegamos a Caldas com festas na cidade e depois de encontrar o albergue fomos às compras e pôr de molho os pés num lavadouro de água quente das termas um pouco abaixo das duas bicas de água quente que servem de cartão de visita: bem tentamos lá ir mas só conseguimos ir molhar as mãos pois era gente a mais a encher bacias e garrafões. O albergue de Caldas ficava… em frente a um bar que “bombou” a noite toda… e dizer “bombou” é parecido com estourou… isto porque a moda do botelhão espanhol fez com que o albergue fosse do outro lado do vidro onde decorria a festa! Até tivemos direito a petardos (daquelas bombas que entram nos estádios) pela madrugada fora! Ficou a impressão de que leis do ruído e estabelecimentos de diversão nocturna são coisas que por ali não há. Só não digo mal do sono porque escaldado dos roncadores da noite anterior fui à farmácia comprar tampões de ouvidos 🙂

Continua brevemente… 🙂